quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

INOCÊNCIA DE PASSARINHO




O pai e o menino passeavam na praça como todos os dias pela manhã.
O menino vê um pássaro caído no chão.
- Pai, olha. Coitadinho...
- Está morto filho, deve ter caído durante a noite. Choveu muito.
- E a chuva matou o passarinho, pai?
- Não filho, a chuva não é má.As árvores e as plantas, assim como os bichos, precisam de água para viver.
O pai, solidário, cava um pequenino buraco para enterrar a ave.
No outro dia, na mesma praça, o menino corre até o lugar com uma garrafinha de água e começa despejar na terra.
- Filho, o que está fazendo?
- Estou regando a terra onde está o passarinho, pai. Logo nasce outro, né?

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

FUGA INSANA



- Saia de perto de mim, saia daqui agora!
O homem gritava enquanto os transeuntes olhavam espantados.
- Pare de me seguir, pelo amor de Deus, vá embora.
Desesperado e não agüentando mais a situação, o pobre atirou-se debaixo do carro que vinha passando na avenida.
Seu corpo ficou lá estirado, moído, sem vida.
Ao seu lado, muda e inerte continuava aquela de quem o homem tentava se livrar: sua própria sombra.

VORAZ



A mãe não sabia mais o que fazer.
Que fome tinha o menino!
Nada parecia satisfazê-lo.
Era dia e noite aquela fome incontrolável.
Uma noite ela acordou ouvindo sons estranhos.
Foi até o quarto do menino.
Ele ria feliz, mostrando os dentes manchados de vermelho.
O pé já tinha sido devorado, agora chupava o osso da própria canela!



O perigo de se conviver com monstros é acabar virando um deles...