domingo, 1 de dezembro de 2013

Sem Fim

O pai, ausente.
A mãe, alcoólatra, morrera de cirrose.
Refugiou-se nas drogas.
Enquanto o pó batia no cérebro tudo era lindo em seu mundo.
Sensações indescritíveis, o corpo leve, prazer.
Sóbrio só tinha pesadelos.
Cada vez queria viajar mais, ficar mais tempo sonhando.
Naquele dia pegou mais do que de costume e não percebeu que exagerou.
Desta vez a passagem era só de ida.
Chegando do outro lado, a primeira pessoa que encontrou foi sua mãe estranhamente sóbria.
Sem álcool, sem drogas.
Sem viagens, sem sonhos.
O pesadelo iria continuar.

Triste

Triste, era assim que ele era.
Tentou por vezes o suicídio, mas malfadado ao extremo nem isso conseguiu.
Deu a alma ao diabo, pelo menos acabaria com tudo, mas teve que esperar.
O dito cujo não tinha pressa em vir buscá-lo, pois ele iria sozinho.

Inocência








Olhou-se no espelho e sorriu.
Camisa branca, saia xadrez, meias até os joelhos.
O cabelo preso em um rabo-de-cavalo, maquiagem suave.
Calçou rapidamente os sapatos.
Pegou o livro e partiu para a sua esquina.
Seus clientes gostavam de meninas inocentes...

O Monstro em mim



Não há quase nada de que goste em mim. Tantos defeitos e vícios!
Alguns devem ter nascido comigo, outros foram surgindo com o passar do tempo.
Contudo, existe aquele que me corrompe, pois por mais que saiba que é horrível e até hediondo, adoro.
Tentei por vezes resistir ao desejo insano, mas não pude.
A pureza e a inocência alimentam minha monstruosidade.
A simples lembrança faz com que sinta o gosto doce daqueles que mal chegaram ao mundo, de seus pequenos corpos habitados pela alma imaculada.
Penso nisso enquanto caminho entre as paredes brancas.
Dirijo-me ao berçário, sem escolher pego o “pacote” mais próximo da porta.
A pequena criatura apenas suspira em seu sono de anjo.
Saio pela porta da frente e sigo para casa já com água na boca.
Meu jantar está garantido.