Não há quase nada de que goste em mim. Tantos defeitos e vícios!
Alguns devem ter nascido comigo, outros foram surgindo com o passar do tempo.
Contudo, existe aquele que me corrompe, pois por mais que saiba que é horrível e até hediondo, adoro.
Tentei por vezes resistir ao desejo insano, mas não pude.
A pureza e a inocência alimentam minha monstruosidade.
A simples lembrança faz com que sinta o gosto doce daqueles que mal chegaram ao mundo, de seus pequenos corpos habitados pela alma imaculada.
Penso nisso enquanto caminho entre as paredes brancas.
Dirijo-me ao berçário, sem escolher pego o “pacote” mais próximo da porta.
A pequena criatura apenas suspira em seu sono de anjo.
Saio pela porta da frente e sigo para casa já com água na boca.
Meu jantar está garantido.
Nenhum comentário:
Postar um comentário